Quando Lígia completou dezoito anos foi com uma amiga numa boate gay.
Lígia era uma iniciante. Então sua amiga apontou uma mulher morena por volta dos trinta anos e disse:
-Aquela lá é a Bárbara. Ela é uma iniciadora.
A amiga contou que pelo menos metade de todas as mulheres ali presentes já tinham passado pela cama da iniciadora.
Em meio àquela nebulosa formada pela fumaça dos cigarros Lígia se deparou com os olhos escuros de Bárbara voltados para ela. Sentiu um arrepio e recuou.
A boca, os olhos e o sorriso da tal Bárbara era mesmo uma barbaridade,mas Lígia não queria ser mais uma numa longa lista de sedução e resistiu.
Dez anos depois Lígia comentou com seu amigo Flávio sobre a iniciadora. Flávio tinha uma história parecida e resolveu compartilhar com ela:
-Eu fui iniciado no Parque Trianon por um sujeito igual a sua Bárbara.
-Flávio você não se sentiu humilhado passando por esse devorador?
-Querida,se não fosse com ele seria com outro, além do mais ele era um bofe escândalo.
Lígia pensou em Bárbara sob uma nova perspectiva. Ela não era mais uma iniciante e a outra estava mais para mediadora entre a Lígia de antes e essa de agora.
Aprovou a idéia e saiu procurando Bárbara nos bares,boates e outros eventos relacionados à comunidade LGBT,todavia sem sucesso.
Numa tarde em que visitava o Museu de Arte de São Paulo viu uma obra de arte. Era a
Bárbara em pessoa.
Lígia se aproximou e a cumprimentou com três beijinhos. Foram tomar um café expresso e relembrar a época das baladas. Lígia aproveitando a deixa tomou coragem e confessou:
-Bárbara lembro de você como a iniciadora e me arrependi bastante de não ter feito parte da sua extensa lista de conquistas.
Bárbara respondeu sorrindo:
-Podemos corrigir os erros do passado.
“Pronto” pensou Lígia aliviada:
-Na sua casa ou na minha?
Foram tranqüilas pelo caminho sem trocar nada além de meia dúzia de palavras. Lígia estava nervosa juntando os joelhos e contando os minutos. De fato parecia que nunca tinha feito isso antes.
Ao tentar abrir a porta Bárbara deixou a chave escapar de suas mãos. Lígia notou que a morena,não obstante a vasta experiência, estava tão tensa quanto ela.
Ao entrar na casa,ou melhor no matadouro,Lígia ficou surpresa com o que via. Nada de garrafas,embalagens de pizza,roupas pelo chão,revistas pornôs e cheiro de sexo. A casa transpirava feminilidade,bom gosto e organização.
Lígia pediu um copo d’água e tomou dois. Bárbara perguntou se ela precisava de mais alguma coisa. Lígia estava com a diaba no corpo e respondeu:
-Sua boca.
Podia ter sido um amor urgente daqueles que a gente arranca a roupa e perde um botão,mas Bárbara beijou Lígia com calma dosando o beijo num crescente até as raias da paixão. Sabia beijar,fazia variações deliciosas com a língua e mordiscava o queixo de Lígia.
Bárbara puxou Lígia pela cintura e iniciou um movimento com o quadril enquanto apertava as coxas de Lígia. Acariciou Lígia por dentro da blusa e forçou os dedos na direção do bico do seio esquerdo.
Lígia devolvia as carícias enquanto apoiava uma das mãos na nuca da amante.
Retiraram aos poucos parte da roupa e ficaram de calcinha. Bárbara sugou os seios fartos de Lígia que gemeu alto.
Bárbara quis saber e sussurrou no ouvido da outra:
-Você vai deixar?
Lígia gostava de provocações:
-Nem que eu quisesse conseguiria parar.
A verdade é que Lígia não imaginava o quanto Bárbara esperou por aquele momento e como lamentou a fama que a precedia ao conhecê-la dez anos antes. Para ela Lígia não era uma conquista e sim uma obsessão.
No quarto Bárbara beijou a boceta de Lígia por cima da calcinha. Depois retirou com destreza a última peça que faltava. Bárbara retirou sua calcinha devagar fazendo Lígia delirar com aquela visão deliciosa e pela urgência que sentia em querer o corpo da outra sobre o seu.
Finalmente Bárbara deitou sobre o corpo de Lígia friccionando o púbis.
Perguntou numa atitude típica de quem quer causar prazer e dor:
-Machuca?
As coxas morenas e fortes de Bárbara completavam a pressão obrigando Lígia a se abrir.
Lígia sentindo a aproximação do orgasmo de Bárbara abraçou suas costas e num movimento forte dos quadris ajudou Bárbara a gozar.
Na mesma medida Bárbara não perdeu tempo e penetrou Lígia com os dois dedos estudando sua expressão de antegozo.
Confessou para Lígia:
-Sempre imaginei você nessa posição.
Lígia desejou um orgasmo forte e pediu:
-Quero sua língua.
Sem retirar os dedos Bárbara desceu sua boca até o clitóris convidativo e fez Lígia gozar poucos minutos depois.
Em seguida Bárbara se esticou na cama a fim de deixar a amante observar o conjunto da obra.
Lígia a partir daquela noite evocaria a imagem de Bárbara em tudo que fosse absolutamente belo e provocasse seus sentidos.
Perderam o medo,a ansiedade e as dúvidas. Se reconheciam no prazer.
Bárbara pediu com doçura que Lígia fosse sua namorada e dormiram abraçadas.
Pela manhã Bárbara desejou a amante e decidiu despertá-la dizendo:
-Acorda Lígia finalizadora.
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Fonte: Cânoa de Meninas