O que é amor?

Para quem freqüentou as baladas no inicio da década de 90, vai entender perfeitamente sobre o que eu vou falar.
Minha primeira vez em uma balada gay foi num extinto bar chamado 266, ficava na rua Marquês de São Vicente, centro de São Paulo. Fui a convite de um amigo de trabalho, que por sinal era afim de mim. O bar meia luz, era freqüentado exclusivamente por casais gays.
Ao entrar ali, já dei de cara com dois homens se beijando na boca, nunca tinha visto aquilo, fiquei perplexo!
Pra mim aquele ambiente era um lugar fora da minha realidade, observava tudo, qualquer atitude diferente das pessoas ali, era motivo para eu me desconcentrar na conversa.
Como eu disse o bar era um lugar para casais, ou pessoas que estavam se conhecendo, iniciando um namoro, afinal era um lugar propício para esses fins.
Esse meu amigo me levou nesse bar com intenções (além deu conhecer) de iniciar um namoro comigo.
Mas naquele momento eu não queria nada com ninguém, pra mim era tudo novo, queria conhecer lugares e fazer amizades.
Ele como já estava na estrada há tempos queria algo sério, estava cansado de aventuras.
Nessa
época quando alguém
ficava afim de você, ou
vice-versa, tinha todo
um processo chamado
paquera, os olhares, a
aproximação, o papo e
depois, mas só depois é
que rolava sexo, e às
vezes depois de semanas.
Quando chegava rolar sexo, já tinha ali um compromisso, ou seja, é como se um prometesse para outro o seguinte, agora que transamos somos namorados.
Pode parecer tolice para os gays de hoje em dia, principalmente para os que têm menos de 30 anos, mas isso era real, mesmo que aquele namoro não fosse para frente, era assim que funcionavam as coisas.
Quando saem para as baladas já vão com o pensamento de ficar com alguém com intuito de transar, não pensam em conhecer alguém para namorar, se apaixonar, amar, e viver uma vida a dois.
Posso estar enganado, mas se eles têm a intenção de namorar sério, pelo menos não demonstram isso em suas atitudes, pelo contrário, passam uma postura totalmente diferente.
Percebo que essa juventude não busca ter um relacionamento sério, passa longe esse tipo de pensamento na cabeça deles.
Internet, clubes de sexo, dark roons, cinemões tudo isso traz a facilidade de um sexo rápido e anônimo.
Lembro que na minha adolescência eu era apaixonado por um garoto da escola, depois mudei de escola e me apaixonei por outro, mas não era interesse sexual, imaginava uma história de amor com ele.
E nos dias atuais eu duvido que algum adolescente gay se apaixone por outro, a intenção é outra, os pensamentos são outros – Será que ele é passivo ou ativo... Tem pau grande! E por aí vão as intenções...
Na verdade o que eles querem é vivenciar o prazer sexual com maior número de pessoas possíveis. Sei que pode parecer ofensivo falar dessa maneira, mas infelizmente é a mais pura verdade.
Por outro lado confesso que admiro a atitude deles, afinal enquanto eles só querem “curtir” não tem que viver a chatice de se apaixonar por alguém, e depois sofrer com a angústia de esperar ansiosamente o momento de encontrar a pessoa amada para ficar ao lado dela, ufa!
Por Jean Luiz




